É interessante notar como as escrituras sagradas tratam o
pecado e, por conseguinte, seus efeitos devastadores sobre o homem. Nesse
aspecto, eu gostaria de destacar três tipos de pecados que o Novo Testamento
claramente expõe como PECADOS IMPERDOÁVEIS.
Antes que alguém por aqui se levante e me chame de herege, eu
gostaria de pedir a todos os leitores deste texto que ponderem com profundidade
nas questões levantadas por mim e, caso as critiquem, que o façam com uma
crítica baseada e fundamentada numa exegese e hermenêutica sadias das
escrituras sagradas e não no “achologismo” barato mesclado a uma pitada de
falsa santidade e farisaica misericórdia.
O Novo Testamento identifica três tipos de pecados que são
imperdoáveis, a saber:
Blasfemar contra o Espírito Santo é
um pecado imperdoável. Aqui cabe salientar que o pecado de blasfemar contra o
Espírito Santo não é uma ação isolada, mas sim uma atitude constante de rebeldia
declarada, que determina um estado pecaminoso, uma oposição voluntária e
militante, uma ação beligerante contra a obra de convencimento do pecado
realizada pelo Espírito Santo.
“Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens;
mas a blasfêmia contra o Espírito Santo NÃO SERÁ PERDOADA AOS HOMENS. E, se
qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado;
mas, se alguémfalar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste
século nem no futuro” (Mateus 12:31-32).
Assim, apesar do sangue de Jesus
Cristo nos purificar de todo pecado (1 João 1:7), esse “todo” deve excetuar o
pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, pois, tal pecado envolve o não
arrependimento do pecador.
E por que? Seria o sangue de Cristo apenas uma
ferramenta parcial para pagamento de pecados? Seria a graça de Deus
aleijada? É claro que não!
O que ocorre é que o ato de convencer
cada ser humano de que este é um pecador é tarefa do Espírito Santo. Uma vez
que o homem tem um endurecimento do seu coração para com esse Espírito (Deus),
tal pessoa não poderá ser convencida de seu estado pecaminoso; se o tal não é
convencido dessa separação de Deus, logo, este homem não poderá se arrepender
de seus pecados, não poderá crer no sacrifício perfeito da cruz e assim, por
conclusão, estará longe do alcance da graça divina em Cristo.
A apostasia da fé cristã é um pecado
imperdoável. A palavra apostasia aparece duas vezes no Novo Testamento como
substantivo (1 Tess. 2:3 ; 1 Tim. 4:1) e uma vez como verbo (Heb. 3:12). Essa
palavra (no grego aphistemi) é
definida como apartar, tendo os seguintes sinônimos: decaído, rebelião,
deserção, abandono, retirada, ou, afastar-se daquilo que estava ligado
anteriormente.
Para alguns teólogos e estudiosos a
blasfêmia contra o Espírito Santo está ligada exclusivamente aos ímpios,
enquanto que a apostasia é um pecado que pode ser cometido somente por quem já
foi salvo pelo sangue de Cristo!
O indivíduo que se aventura por este
perigoso caminho tem como característica de sua vida caída à negação ou
rejeição do todo ou de parte dos ensinos originais de Cristo e dos
apóstolos(1Tim. 4:1 ; 2 Tim. 4:3). A consequência inevitável deste pecado é o
cristão se isolar do corpo de Cristo e do autor e consumador de nossa fé,
Jesus Cristo, e voltar a ser escravo do pecado e da imoralidade que outrora o
dominava (Mat. 23:25-28 ; Mat. 24:4 ; Rom. 6:15-23 ; Heb. 10:26).
“Porque é IMPOSSÍVEL que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o
dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa
palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e RECAÍRAM, sejam outra vez renovadospara arrependimento; pois,
assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao
vitupério” (Heb. 6:4-6)
Aqui o autor da carta aos hebreus
deixa bem claro que é IMPOSSÍVEL o arrependimento dos que apostataram. Tal
pecado se torna imperdoável justamente por que o pecador se priva de
arrependimento, ficando, portanto, inalcançável pela graça divina! É regra que
quem se apostata da fé cristã, agora, em seu estado de rebeldia, tem seu
coração cada vez mais endurecido pelo pecado que voltou a dominá-lo (Heb. 13:8-13);
normalmente tais homens são orgulhosos, arrogantes, presunçosos e amantes de si
mesmos e rejeitadores dos caminhos de Deus (Heb. 3:10); acreditam que são donos
exclusivos da verdade. Acostumaram a viver no pecado e não estão dispostos a
abandoná-lo!
O pecado imperdoável da apostasia
também não é uma ação isolada. O crente se apostata aos poucos, quando a
realidade dos prazeres e confortos do mundo chegam a ser maiores que a
esperança no reino celestial de Deus! Primeiro o Espírito Santo se entristece
com o pecador (Ef. 4:30 ; Heb. 3:7-8); Seu fogo se extingue do coração desse
cristão (1 Tess. 5:19) e o templo do Espírito Santo é profanado (1 Cor. 3:16).
Finalmente, numa reação a ação de endurecimento do homem, o Espírito Santo se
afasta daquele que antes era cristão (Rom. 8:13 ; 1 Cor. 3:16-17 ; Heb. 3:14).
Para os pregadores da libertinagem,
disfarçada de uma graça falsificada, que é capaz de salvar o pecador não
arrependido, cabe à lembrança de que o pensamento geral das escrituras sagradas
é que Jesus salva o pecador arrependido “DO” pecado e não o pecador
estacionado “NO” pecado.
O pecado voluntário de quem vive na
prática do pecado também é imperdoável! O pecado voluntário é marcado pelo
desdém, pelo menosprezo, pelo desprezo da obra salvadora de resgate do pecador
concretizada por Jesus Cristo na cruz do calvário. É aquele pecado em que o
cristão sabe que é pecado, tem consciência de que as escrituras condenam tal
prática e ainda assim o pratica. Não é aquele pecado eventual a qual todos os
cristãos estão sujeitos e que trás pesar imediato no coração daqueles que o
cometem. O pecado voluntário é aquele em que o cristão se acostuma a pecar,
fecha os ouvidos para as admoestações do Espírito Santo e caminha a passos largos
para a apostasia total! Esses pecadores não levam mais em conta a pessoa de
Cristo, sua obra salvífica e a importância de seu sacrifício na cruz do
calvário. O desprezo e o escárnio são os sintomas mais evidentes desse pecado
imperdoável (Luc. 23:11). Veja o que Jesus disse:
“E o servo que soube a vontade de seu senhor, e não se aprontou, nem
fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o
que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será
castigado” (Luc. 12:47-48).
O escritor adverte claramente que
conhecer a Jesus e depois desobedecê-lo com as obras más será digno de um maior
castigo do que aqueles que não conhecem a vontade de Deus!
“Porque, se PERCARMOS VOLUNTARIAMENTE, depois de termos recebido o
conhecimento da verdade, JÁ NÃO RESTA MAIS SACRIFÍCIO PELOS PECADOS” (Hebreus
10:26)
O tempo verbal presente empregado
neste texto indica persistência contínua e não ato isolado. O advérbio enfático,
colocado em primeiro lugar, no texto grego, frisa que tal pecado é cometido deliberadamente
por alguém que tinha encontrado a graça de Cristo e a vida eterna; mas que
depois de ser seduzido pelo pecado, endurece continuamente seu coração, fazendo
agravo ao Espírito da graça, isto é, ao Espírito Santo! O escritor aos hebreus
é bem claro ao dizerpara aqueles que vivem na prática de pecados, ou seja, que pecam
voluntariamente e sempre, que não resta sacrifício que justifique esses pecados
costumeiros
e não resistidos, mas consentidos. O fato de não restar mais sacrifício
por este pecado voluntário e não resistido o torna um pecado imperdoável da
parte de Deus!
Exemplos desse tipo de pecado podem
ser facilmente encontrados nas vidas daqueles que, sabendo que as escrituras
condenam tais atos como pecados, ainda assim, voluntariamente e continuamente
vivem na prática:
-Do adultério; Da mentira;Do
homossexualismo; Da fornicação; e muitos outros não listados aqui.
O Dr. F. W Grant observa que este
“pecado voluntário” representa mais que um fruto da ignorância, sendo uma aberta oposição a Deus e a tudo o que é
divino e santo. Não se trata de uma fraqueza da alma, mas de uma atitude obstinada de espírito. Deve
ser esta a razão que para tais transgressores, “não resta mais sacrifício pelos pecados”, visto que
voluntariamente se entregam à prática da iniquidade!
É interessante notarmos que esses
três pecados imperdoáveis estão sempre ligados a uma resistência à influência
do Espírito Santo de Deus. Quem blasfema contra o Espírito, não só ignora o
chamado de Deus ao arrependimento, mas também, declara guerra ao Espírito Santo
que conduz ao salvador! Quem se apostata da fé, deixa de ouvir o Espírito Santo
de Deus, resistindo-Lhe e menosprezando o Filho de Deus e seu sacrifício de reconciliação
com a humanidade. Do mesmo modo, quem peca voluntariamente, afasta-se de si
mesmo o Espírito de Deus, até que este o abandone e não mais o leve ao único
sacrifício que pode limpar a culpa da humanidade, nada mais restando ao pecador
senão a condenação!
Neste ponto, torna-se bastante propícia
a citação de São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, tomo V, onde ele
apropriadamente diz:
“Quando se peca por debilidade, se
peca contra o PAI; se por ignorância, contra o FILHO; e contra o ESPÍRITO SANTO
quando se peca por malícia certa”
(Suma Teológica, II, q.14, a.1).
Nessas palavras começa-se a
compreender que no pecado contra o Pai (fraqueza) ou contra o Filho (ignorância),
o pecador se deixa conduzir mais facilmente ao arrependimento, ao passo que
quando se peca contra o Espírito Santo (malícia), o pecador desenvolve uma
obstinação pelo pecado, e, portanto à recusa do perdão. Não é Deus quem não
quer perdoar, mas o pecador quem não quer se arrepender e, consequentemente,
ser perdoado! Assim, esses três pecados listados acima são imperdoáveis por
causa do pecador obstinado em pecar e não por causa de Deus.
Tomás de Aquino continua:
“Aristóteles já classificava os
pecadores em ignorantes (os que pecam por ignorância), incontinentes (os que
pecam por paixão) e intemperantes (os que pecam por opção ou por malícia). Quem
peca por ignorância ignora, embora culposamente, ser mau o que faz. Quem peca
por paixão, sabe perfeitamente que o que faz é mau, mas não se apercebe momentaneamente desta malícia, ofuscado
pelo ímpeto culposo da paixão. Quem peca por opção ou malícia, nem ignora nem
deixa de ter consciência de que é mau o que faz; peca por cálculo, a sabendas,
com premeditação e pleno conhecimento de causa; persegue o deleite do pecado,
não por ter sido vencido, mas por que o escolheu”. (Suma Teológica, tomo V).
Não se engane, pois:
Não se engane, pois:
Que a graça de Deus e seu eterno amor
nos preserve de cairmos em cada um destes três pecados que as escrituras
sagradas chamam de IMPERDOÁVEIS! Amém!
Fonte: Livro A Doutrina do Pecado,
CPAD
Adaptado por Emerson Vale!







MUITO INTERESSANTE
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