segunda-feira, 16 de setembro de 2013

EXISTE PECADO IMPERDOÁVEL?



É interessante notar como as escrituras sagradas tratam o pecado e, por conseguinte, seus efeitos devastadores sobre o homem. Nesse aspecto, eu gostaria de destacar três tipos de pecados que o Novo Testamento claramente expõe como PECADOS IMPERDOÁVEIS.

Antes que alguém por aqui se levante e me chame de herege, eu gostaria de pedir a todos os leitores deste texto que ponderem com profundidade nas questões levantadas por mim e, caso as critiquem, que o façam com uma crítica baseada e fundamentada numa exegese e hermenêutica sadias das escrituras sagradas e não no “achologismo” barato mesclado a uma pitada de falsa santidade e farisaica misericórdia.

O Novo Testamento identifica três tipos de pecados que são imperdoáveis, a saber:

·         A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO:



Blasfemar contra o Espírito Santo é um pecado imperdoável. Aqui cabe salientar que o pecado de blasfemar contra o Espírito Santo não é uma ação isolada, mas sim uma atitude constante de rebeldia declarada, que determina um estado pecaminoso, uma oposição voluntária e militante, uma ação beligerante contra a obra de convencimento do pecado realizada pelo Espírito Santo.

“Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito Santo NÃO SERÁ PERDOADA AOS HOMENS. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguémfalar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro” (Mateus 12:31-32).

Assim, apesar do sangue de Jesus Cristo nos purificar de todo pecado (1 João 1:7), esse “todo” deve excetuar o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, pois, tal pecado envolve o não arrependimento do pecador.
E por que? Seria o sangue de Cristo apenas uma ferramenta parcial para pagamento de pecados? Seria a graça de Deus aleijada?  É claro que não!
O que ocorre é que o ato de convencer cada ser humano de que este é um pecador é tarefa do Espírito Santo. Uma vez que o homem tem um endurecimento do seu coração para com esse Espírito (Deus), tal pessoa não poderá ser convencida de seu estado pecaminoso; se o tal não é convencido dessa separação de Deus, logo, este homem não poderá se arrepender de seus pecados, não poderá crer no sacrifício perfeito da cruz e assim, por conclusão, estará longe do alcance da graça divina em Cristo.

·         A APOSTASIA:


A apostasia da fé cristã é um pecado imperdoável. A palavra apostasia aparece duas vezes no Novo Testamento como substantivo (1 Tess. 2:3 ; 1 Tim. 4:1) e uma vez como verbo (Heb. 3:12). Essa palavra (no grego aphistemi) é definida como apartar, tendo os seguintes sinônimos: decaído, rebelião, deserção, abandono, retirada, ou, afastar-se daquilo que estava ligado anteriormente.
Para alguns teólogos e estudiosos a blasfêmia contra o Espírito Santo está ligada exclusivamente aos ímpios, enquanto que a apostasia é um pecado que pode ser cometido somente por quem já foi salvo pelo sangue de Cristo!
O indivíduo que se aventura por este perigoso caminho tem como característica de sua vida caída à negação ou rejeição do todo ou de parte dos ensinos originais de Cristo e dos apóstolos(1Tim. 4:1 ; 2 Tim. 4:3). A consequência inevitável deste pecado é o cristão se isolar do corpo de Cristo e do autor e consumador de nossa fé, Jesus Cristo, e voltar a ser escravo do pecado e da imoralidade que outrora o dominava (Mat. 23:25-28 ; Mat. 24:4 ; Rom. 6:15-23 ; Heb. 10:26).

“Porque é IMPOSSÍVEL que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e        RECAÍRAM, sejam outra vez renovadospara arrependimento; pois, assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério” (Heb. 6:4-6)



Aqui o autor da carta aos hebreus deixa bem claro que é IMPOSSÍVEL o arrependimento dos que apostataram. Tal pecado se torna imperdoável justamente por que o pecador se priva de arrependimento, ficando, portanto, inalcançável pela graça divina! É regra que quem se apostata da fé cristã, agora, em seu estado de rebeldia, tem seu coração cada vez mais endurecido pelo pecado que voltou a dominá-lo (Heb. 13:8-13); normalmente tais homens são orgulhosos, arrogantes, presunçosos e amantes de si mesmos e rejeitadores dos caminhos de Deus (Heb. 3:10); acreditam que são donos exclusivos da verdade. Acostumaram a viver no pecado e não estão dispostos a abandoná-lo!

O pecado imperdoável da apostasia também não é uma ação isolada. O crente se apostata aos poucos, quando a realidade dos prazeres e confortos do mundo chegam a ser maiores que a esperança no reino celestial de Deus! Primeiro o Espírito Santo se entristece com o pecador (Ef. 4:30 ; Heb. 3:7-8); Seu fogo se extingue do coração desse cristão (1 Tess. 5:19) e o templo do Espírito Santo é profanado (1 Cor. 3:16). Finalmente, numa reação a ação de endurecimento do homem, o Espírito Santo se afasta daquele que antes era cristão (Rom. 8:13 ; 1 Cor. 3:16-17 ; Heb. 3:14).

Para os pregadores da libertinagem, disfarçada de uma graça falsificada, que é capaz de salvar o pecador não arrependido, cabe à lembrança de que o pensamento geral das escrituras sagradas é que Jesus salva o pecador arrependido “DO” pecado e não o pecador estacionado “NO” pecado.

·         O PECADO VOLUNTÁRIO:



O pecado voluntário de quem vive na prática do pecado também é imperdoável! O pecado voluntário é marcado pelo desdém, pelo menosprezo, pelo desprezo da obra salvadora de resgate do pecador concretizada por Jesus Cristo na cruz do calvário. É aquele pecado em que o cristão sabe que é pecado, tem consciência de que as escrituras condenam tal prática e ainda assim o pratica. Não é aquele pecado eventual a qual todos os cristãos estão sujeitos e que trás pesar imediato no coração daqueles que o cometem. O pecado voluntário é aquele em que o cristão se acostuma a pecar, fecha os ouvidos para as admoestações do Espírito Santo e caminha a passos largos para a apostasia total! Esses pecadores não levam mais em conta a pessoa de Cristo, sua obra salvífica e a importância de seu sacrifício na cruz do calvário. O desprezo e o escárnio são os sintomas mais evidentes desse pecado imperdoável (Luc. 23:11). Veja o que Jesus disse:

“E o servo que soube a vontade de seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado” (Luc. 12:47-48).



O escritor adverte claramente que conhecer a Jesus e depois desobedecê-lo com as obras más será digno de um maior castigo do que aqueles que não conhecem a vontade de Deus!

“Porque, se PERCARMOS VOLUNTARIAMENTE, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, JÁ NÃO RESTA MAIS SACRIFÍCIO PELOS PECADOS” (Hebreus 10:26)

O tempo verbal presente empregado neste texto indica persistência contínua e não ato isolado. O advérbio enfático, colocado em primeiro lugar, no texto grego, frisa que tal pecado é cometido deliberadamente por alguém que tinha encontrado a graça de Cristo e a vida eterna; mas que depois de ser seduzido pelo pecado, endurece continuamente seu coração, fazendo agravo ao Espírito da graça, isto é, ao Espírito Santo! O escritor aos hebreus é bem claro ao dizerpara aqueles que vivem na prática de pecados, ou seja, que pecam voluntariamente e sempre, que não resta sacrifício que justifique esses pecados costumeiros e não resistidos, mas consentidos. O fato de não restar mais sacrifício por este pecado voluntário e não resistido o torna um pecado imperdoável da parte de Deus!

Exemplos desse tipo de pecado podem ser facilmente encontrados nas vidas daqueles que, sabendo que as escrituras condenam tais atos como pecados, ainda assim, voluntariamente e continuamente vivem na prática:

-Do adultério; Da mentira;Do homossexualismo; Da fornicação; e muitos outros não listados aqui.

O Dr. F. W Grant observa que este “pecado voluntário” representa mais que um fruto da ignorância, sendo uma aberta oposição a Deus e a tudo o que é divino e santo. Não se trata de uma fraqueza da alma, mas de uma atitude obstinada de espírito. Deve ser esta a razão que para tais transgressores, “não resta mais sacrifício pelos pecados”, visto que voluntariamente se entregam à prática da iniquidade!

É interessante notarmos que esses três pecados imperdoáveis estão sempre ligados a uma resistência à influência do Espírito Santo de Deus. Quem blasfema contra o Espírito, não só ignora o chamado de Deus ao arrependimento, mas também, declara guerra ao Espírito Santo que conduz ao salvador! Quem se apostata da fé, deixa de ouvir o Espírito Santo de Deus, resistindo-Lhe e menosprezando o Filho de Deus e seu sacrifício de reconciliação com a humanidade. Do mesmo modo, quem peca voluntariamente, afasta-se de si mesmo o Espírito de Deus, até que este o abandone e não mais o leve ao único sacrifício que pode limpar a culpa da humanidade, nada mais restando ao pecador senão a condenação!

Neste ponto, torna-se bastante propícia a citação de São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, tomo V, onde ele apropriadamente diz:

“Quando se peca por debilidade, se peca contra o PAI; se por ignorância, contra o FILHO; e contra o ESPÍRITO SANTO quando se peca por malícia certa” (Suma Teológica, II, q.14, a.1).

Nessas palavras começa-se a compreender que no pecado contra o Pai (fraqueza) ou contra o Filho (ignorância), o pecador se deixa conduzir mais facilmente ao arrependimento, ao passo que quando se peca contra o Espírito Santo (malícia), o pecador desenvolve uma obstinação pelo pecado, e, portanto à recusa do perdão. Não é Deus quem não quer perdoar, mas o pecador quem não quer se arrepender e, consequentemente, ser perdoado! Assim, esses três pecados listados acima são imperdoáveis por causa do pecador obstinado em pecar e não por causa de Deus.

Tomás de Aquino continua:

“Aristóteles já classificava os pecadores em ignorantes (os que pecam por ignorância), incontinentes (os que pecam por paixão) e intemperantes (os que pecam por opção ou por malícia). Quem peca por ignorância ignora, embora culposamente, ser mau o que faz. Quem peca por paixão, sabe perfeitamente que o que faz é mau, mas não se apercebe momentaneamente desta malícia, ofuscado pelo ímpeto culposo da paixão. Quem peca por opção ou malícia, nem ignora nem deixa de ter consciência de que é mau o que faz; peca por cálculo, a sabendas, com premeditação e pleno conhecimento de causa; persegue o deleite do pecado, não por ter sido vencido, mas por que o escolheu”. (Suma Teológica, tomo V).

Não se engane, pois:



Que a graça de Deus e seu eterno amor nos preserve de cairmos em cada um destes três pecados que as escrituras sagradas chamam de IMPERDOÁVEIS! Amém!

Fonte: Livro A Doutrina do Pecado, CPAD


Adaptado por Emerson Vale!







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