Infelizmente devemos reconhecer o fato de que a nossa
conversão a Cristo não nos livrou da POSSIBILIDADE de pecar. No entanto, as escrituras
sagradas fazem uma diferença muito clara entre o pecar e o VIVER EM PECADO. É
muito importante discorrer sobre essa diferença para que não corramos o risco
de interpretar erroneamente os textos sagrados. O cristão está sujeito a pecar
e isso NÃO O IMPEDE de ser salvo. Mas, NÃO LHE É POSSÍVEL VIVER EM PECADO e,
ainda assim, ser alcançado pela graça divina! Então, não enganamo-nos a nós
mesmos: Temos pecado, mas o pecado já NÃO REINA EM NÓS!
“Não REINE, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de
maneira que OBEDEÇAIS às suas paixões” (Rom. 6:12).
Apesar de o crente correr o risco de pecar, este pecado já
não pode mais escraviza-lo.
Se o cristão vier a pecar, diz a escritura sagrada assim:
“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que NÃO
PEQUEIS. SE toda via alguém pecar temos um advogado junto ao Pai, Jesus
Cristo , o Justo” (1 João 2:1).
Observe que João NÃO AFIRMA que o cristão vive pecando, mas
oferece o “remédio” (Jesus Cristo) contra o pecado, CASO ELE SURJA;“SE” o cristão pecar!
A Bíblia é bem clara ao declarar que para “um cristão” que se
acostuma com o pecado, vivendo nele SEM ARREPENDIMENTO, o sacrifício de Cristo
e sua graça já não o alcançam mais, tornando este pecador, caso morra neste
estado, irreconciliável para com Deus. Aquele que VERDADEIRAMENTE nasceu de
Deus (salvos pela graça), NÃO PODE VIVER NA PRÁTICA DO PECADO. Vejamos;
“Todo aquele que é nascido de Deus NÃO VIVE NA PRÁTICA DO
PECADO; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse NÃO PODE VIVER
PECANDO por que é nascido de Deus” (1 João 3:9).
O cristão nascido de novo, lavado pelo sangue de Jesus
Cristo, CONHECEDOR DAS VERDADES das escrituras quanto àquilo que desagrada a
Deus, se, desprezando a palavra de Deus, voltar a VIVER EM PECADO como antes de
sua conversão, o sacrifício da cruz do calvário não pode mais perdoar seus
pecados.
“Porque, se PERCARMOS VOLUNTARIAMENTE, depois de termos
recebido o conhecimento da verdade, JÁ NÃO RESTA MAIS SACRIFÍCIO PELOS PECADOS”
(Hebreus 10:26).
É por isso que as escrituras falam tanto em SANTIDADE na vida
do cristão. Afinal, fomos chamados, EM CRISTO, para as BOAS OBRAS e não para
continuar escravo do pecado. Aqui cabe salientar que santidade NÃO É um meio
para ser salvo, mas sim o resultado da vida do salvo.
“Pois, somos feitura dele, criados EM CRISTO JESUS PARA AS
BOAS OBRAS, as quais Deus de antemão preparou PARA QUE ANDÁSSEMOS NELAS” (Ef.
2:10).
O VERDADEIRO CRISTÃO, apesar de estar sujeito a pecar no
decorrer da sua caminhada cristã tende a se aperfeiçoar mais e mais e, como
resultado desta santificação, dia após dia, não pode mais ser escravo do pecado
e viver pecando, pois, JÁ CRUCIFICOU SUA CARNE com suas paixões e concupiscências.
“E, OS QUE SÃO de Cristo Jesus, crucificaram a carne, com as
suas paixões e concupiscências” (Gál. 5:24).
Se, de fato, somos de Cristo, devemos condenar o pecado e não
sermos cúmplices dele!
“E não sejais cúmplices
nas obras infrutíferas das trevas, antes, porém, REPROVÁI-AS” (Ef. 5:15).
É por isso que quem despreza esses mandamentos de santidade,
VIVENDO NA PRÁTICA DO PECADO e, MORRE SEM SE ARREPENDER, CAIU DA GRAÇA E NÃO
HERDARÁ O REINO DE DEUS.
Cabe aqui, mais uma vez, ressaltar que as boas obras NÃO SÃO
A CAUSA de nossa salvação, mas A CONSEQUÊNCIA dela. Assim, quando Deus convoca
e exorta os cristãos a fazerem boas obras é por que os tais JÁ SÃO SALVOS e não
para que eles SEJAM SALVOS.
Esse é outro ponto que devemos ter muita atenção. Fazemos
boas obras por que somos salvos e não para sermos salvos. As boas obras só são
bem vistas diante de Deus DEPOIS de sermos libertos do pecado POR CRISTO; antes
disso, são apenas trapos de imundície, uma tentativa vã e ineficiente de se
alcançar a salvação que somente Cristo pode dar.
Quando Deus chama de trapos de imundice a justiça humana, ele
está dizendo que SEM CRISTO o homem jamais poderia alcançar a justificação
diante de Deus por seus próprios métodos. No entanto, EM CRISTO, devemos sim
praticar boas obras que são os frutos de nosso arrependimento! É o que diz o
texto abaixo:
“AGORA, porém,
LIBERTADOS DO PECADO, transformados em servos de Deus, tendes o VOSSO FRUTO
PARA SANTIFICAÇÃO e, por fim, a vida eterna” (Rom. 6:22).
Aquele que SABE que é pecado, e, ainda assim, VIVE NA PRÁTICA
do adultério, da idolatria, da fornicação e outros pecados que o escraviza,
TENDO CONHECIMENTO DA VERDADE DE DEUS QUE TAIS COISAS SÃO PECADOS, ao morrer
nesses pecados, tal pessoa NÃO HERDARÁ o reino de Deus (1 Cor. 6:9-10).
Jesus Cristo e seu sacrifício nos salva DO pecado e não NO
pecado. Depois de salvo pela graça (gratuitamente), é preciso viver em
santidade! Quem VIVE PECANDO está CONDENADO!
“pois sabes que tal
pessoa está pervertida, e VIVE PECANDO, e por si mesma ESTÁ CONDENADA” (Tito
3:11).
Todos temos pecado (natureza pecaminosa) e isso é um fato! A
diferença, então, está em como cada cristão lida com o pecado em suas vidas.
Alguns se acomodam em pecar. O pecado nas vidas desses não é um fato isolado e
sim um ESTADO PERMANENTE, um costume consentido e não resistido. Tais pessoas
passam a ser novamente escravas do pecado e assim inimigas de Deus!
“Por isso, o pendor da carne é INIMIZADE CONTRA DEUS...”
(Rom. 8:7).
Assim, eu resumiria toda minha argumentação em 4 pontos, a
saber:
1 – Somos salvos ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE
pela GRAÇA DE DEUS, SEM OBRAS!
“Porque PELA GRAÇA sois salvos, mediante a fé e isso não vem
de vós é dom de Deus; NÃO DE OBRAS; para que ninguém se glorie” (Ef. 2:8-9).
2 – DEPOIS DE SALVOS (e não PARA ser
salvo; isso tem que ficar bem claro), os crentes são convocados à SANTIDADE
(Heb. 12:14), através das BOAS OBRAS (Rom. 6:22), sendo-lhes PROIBIDO VIVER EM
PECADO (Rom. 6:2). Vejamos:
“Segui a paz com todos e a SANTIFICAÇÃO, sem a qual NINGUÉM
VERÁ A DEUS” (Heb. 12:14)
“...Como viveremos no pecado, NÓS QUE PARA ELE MORREMOS?”
(Rom. 6:2)
3 – Se negligenciarmos a santidade em
nossas vidas e voltarmos a ser escravos do pecado, VIVENDO NA PRÁTICA DELE,
então cairemos na APOSTASIA e será IMPOSSÍVEL sermos salvos novamente.
“Porque é IMPOSSÍVEL
que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se
tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e
as virtudes do século futuro, e RECAÍRAM,
sejam outra vez renovados para ARREPENDIMENTO; pois, assim, quanto a eles, de
novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério” (Heb. 6:4-6).
4 – Assim, concluo que não é porque
estamos debaixo da graça divina que podemos continuar VIVENDO NO PECADO ao
longo de nossas vidas, pois, a escritura diz:
“E daí? Havemos de
pecar por que não estamos debaixo da lei, e sim da graça? DE MODO NENHUM!”
(Rom. 6:15).
E porque não, pergunto? Por que a VERDADEIRA GRAÇA de Deus
faz com DOMINEMOS o pecado em nós!
“Por que o pecado NÃO
TERÁ DOMÍNIO sobre vós; pois não estais debaixo da lei e sim da GRAÇA” (Rom.
6:14).
É por isso que a criatura que VERDADEIRAMENTE foi atingida
pela GRAÇA DIVINA manifesta esta graça com suas boas obras e não com uma vida
DOMINADA pelo pecado. Graça que não transforma a vida pra melhor, que não se
compromete com a santidade na vida daquele que a recebeu é uma FALSA GRAÇA,
desconhecida pelo pensamento geral das escrituras. Deus nos salvou por sua
própria vontade e sem que o homem precisasse fazer nada, pois, o homem SEM
CRISTO não pode oferecer nada a Deus. No entanto, não somos mais escravos do
pecado; fomos agraciados por Deus e, então, AGORA, COM CRISTO, podemos e
devemos oferecer a Deus os frutos da graça divina em cada um de nós, ou seja, um
modo santo de viver que mostre a nossa fé através das BOAS OBRAS!
“Por que assim como o
corpo sem espírito é morto, A FÉ SEM OBRAS É MORTA” (Tg. 2:26).
Encerro esta participação citando novamente o texto de
Hebreus 10:26 e fazendo alguns comentários sobre este:
“Porque, se PERCARMOS VOLUNTARIAMENTE, depois de termos
recebido o conhecimento da verdade, JÁ NÃO RESTA MAIS SACRIFÍCIO PELOS PECADOS”
(Hebreus 10:26).
Observem que o escritor sagrado escreve esta carta PARA
CRENTES, ou seja, pessoas já atingidas pela graça de Deus. Depois ele fala
exatamente o que discorri acima; que se um salvo (se “nós” pecarmos) pecar
VOLUNTARIAMENTE (continuamente, como um hábito de vida), depois de ter
conhecimento da verdade (libertos por Cristo), ou seja, depois de ser salvo e
atingido pela graça de Deus, esta graça perde o efeito na vida deste pecador,
pois, “JÁ NÃO RESTA MAIS SACRIFÍCIO PELOS PECADOS”. Creiamos e tremamos diante
desta verdade da palavra de Deus!
Graça e paz a todos!
Por
Emerson Vale!